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Com espaço para crescer, cooperativas de crédito chegam a 21,2 milhões de associados

08/07/2026

Panorama do Banco Central mostra que a base de cooperados cresceu 10,4% em 2025, com avanço entre pessoas físicas e jurídicas, mas revela forte diferença regional na participação da população associada.

Esta reportagem integra o Especial Panorama SNCC 2025: o novo patamar do cooperativismo financeiro brasileiro, série do Portal do Cooperativismo Financeiro baseada no relatório anual do Banco Central do Brasil sobre o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo. O texto analisa a evolução da base de cooperados, que superou 21 milhões de pessoas físicas e jurídicas, e destaca as diferenças regionais de participação da população no cooperativismo de crédito, especialmente o contraste entre a elevada penetração no Sul e o amplo potencial de expansão no Norte e no Nordeste.

A base social das cooperativas de crédito continuou crescendo em 2025. Segundo o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), divulgado pelo Banco Central, o número de cooperados chegou a 21,2 milhões ao final do ano, crescimento de 10,4% em relação a dezembro de 2024.

O avanço confirma a expansão do cooperativismo de crédito como alternativa financeira para pessoas, empresas e comunidades. Em 2021, o SNCC contava com 13,6 milhões de cooperados. Em quatro anos, portanto, o segmento acrescentou aproximadamente 7,6 milhões de associados, crescimento acumulado de cerca de 56%.

Cooperativismo de crédito supera 21 milhões de cooperados

Do total de cooperados registrados em dezembro de 2025, 17,8 milhões eram pessoas físicas e 3,4 milhões eram pessoas jurídicas. A base de pessoas físicas cresceu 10,0% no ano, enquanto a base de pessoas jurídicas avançou 12,7%, indicando maior dinamismo no relacionamento das cooperativas com empresas.

Esse crescimento entre pessoas jurídicas é especialmente relevante porque o público empresarial atendido pelas cooperativas é majoritariamente formado por pequenos negócios. De acordo com o relatório do Banco Central, 96,2% das pessoas jurídicas associadas são de porte micro ou pequeno. O dado reforça o papel das cooperativas no atendimento a empreendedores, produtores, comerciantes e empresas locais.

A evolução da base de cooperados também demonstra que o crescimento do SNCC não se limita ao aumento de ativos, crédito ou captações. O avanço ocorre, sobretudo, na ampliação do vínculo associativo, que é a base do modelo cooperativo. Cada novo cooperado representa não apenas um cliente financeiro, mas um associado com direito de participação na cooperativa.

Base de cooperados cresceu 7,6 milhões em quatro anos

A trajetória recente mostra expansão contínua. Em dezembro de 2021, o SNCC tinha 13,6 milhões de cooperados. Em 2022, esse número passou para 15,6 milhões. Em 2023, chegou a 17,3 milhões. Em 2024, alcançou 19,2 milhões. Ao final de 2025, atingiu 21,2 milhões.

A evolução revela crescimento consistente tanto entre pessoas físicas quanto entre pessoas jurídicas. A quantidade de pessoas físicas associadas passou de 11,6 milhões em 2021 para 17,8 milhões em 2025. Entre pessoas jurídicas, o número avançou de 2,0 milhões para 3,4 milhões no mesmo período.

Esse crescimento contribui para ampliar a relevância do cooperativismo financeiro no Sistema Financeiro Nacional. À medida que mais pessoas e empresas ingressam nas cooperativas, aumenta também a capacidade do setor de captar recursos, conceder crédito, prestar serviços financeiros e fortalecer economias locais.

Cooperativas de Crédito avançam entre pessoas físicas e jurídicas

O crescimento da base de cooperados ocorreu em todas as regiões do país, mas com ritmos diferentes. Entre pessoas físicas, o maior crescimento percentual em 2025 foi registrado na Região Norte, com avanço de 15,4%. Entre pessoas jurídicas, o destaque foi a Região Nordeste, com crescimento de 19,8%.

Apesar das taxas elevadas de crescimento, Norte e Nordeste ainda possuem baixa participação relativa na base total do SNCC. Em dezembro de 2025, a Região Sul concentrava 46,1% dos cooperados pessoas físicas e 38,5% dos cooperados pessoas jurídicas. O Sudeste vinha em seguida, com 31,4% das pessoas físicas e 36,7% das pessoas jurídicas.

Essa distribuição mostra que o cooperativismo financeiro brasileiro ainda tem forte concentração regional. O Sul permanece como o território de maior maturidade cooperativa, enquanto Norte e Nordeste apresentam maior espaço potencial para expansão, tanto na base de pessoas físicas quanto no relacionamento com empresas.

Participação da população associada chega a 8,4% no Brasil

O percentual da população brasileira associada a cooperativas de crédito chegou a 8,4% em 2025. O indicador cresceu em todas as regiões, demonstrando avanço nacional do modelo cooperativo, ainda que em ritmos bastante diferentes.

No Sul, 26,3% da população é associada a cooperativas de crédito. O percentual é mais de três vezes superior à média nacional. No Centro-Oeste, a participação chegou a 12,0%. No Sudeste, alcançou 6,3%. No Norte, ficou em 5,6%. Já no Nordeste, apenas 1,6% da população estava associada a cooperativas de crédito ao final de 2025.

O contraste regional é um dos dados mais importantes do relatório. Enquanto o Sul apresenta um nível de inserção cooperativa elevado, o Nordeste ainda registra participação muito baixa da população. Isso indica que há uma ampla fronteira de crescimento para o cooperativismo de crédito nas regiões menos atendidas.

Cooperativismo financeiro tem grande potencial no Norte e Nordeste

Os dados do Banco Central mostram que Norte e Nordeste combinam duas características relevantes: ainda possuem baixa participação no total de cooperados do SNCC, mas estão entre as regiões com maiores taxas de crescimento percentual. Essa combinação revela um espaço importante para expansão nos próximos anos.

No caso do Nordeste, o potencial é especialmente expressivo. A região concentra grande população, muitos municípios com menor presença de instituições financeiras tradicionais e percentual ainda reduzido de pessoas associadas a cooperativas de crédito. O índice de 1,6% da população associada mostra que o cooperativismo financeiro ainda está em fase inicial de penetração em boa parte da região.

No Norte, os desafios são diferentes, mas o potencial também é relevante. A região apresenta dispersão geográfica, maiores distâncias, custos operacionais mais elevados e desafios de infraestrutura. Ainda assim, o crescimento de 15,4% no número de cooperados pessoas físicas em 2025 indica que há demanda por soluções financeiras de proximidade, especialmente quando combinadas com canais digitais e atendimento local.

Mulheres ampliam presença na base do cooperativismo

O relatório também mostra crescimento da participação feminina na base de cooperados pessoas físicas. O número de mulheres associadas chegou a 8,1 milhões em dezembro de 2025, ante 5,1 milhões em 2021.

A representatividade feminina na base de pessoas físicas passou de 43,8% em 2021 para 45,3% em 2025. Embora os homens ainda sejam maioria, a evolução indica avanço gradual da presença das mulheres no quadro social das cooperativas.

Esse dado ganha relevância quando comparado à participação feminina nos órgãos estatutários. Embora as mulheres representem quase metade da base de cooperados pessoas físicas, sua presença em cargos de direção e presidência ainda é menor. O tema será tratado em outra reportagem da série, dedicada a governança, sucessão e diversidade no cooperativismo financeiro.

Perfil etário indica renovação gradual da base social

A distribuição etária dos cooperados mostra que a faixa entre 30 e 39 anos segue como a mais representativa, com 21,8% da base em 2025. No entanto, essa faixa perdeu participação em relação a 2021, quando representava 23,3%.

O maior ganho relativo ocorreu entre os cooperados com menos de 20 anos. Essa faixa passou de 4,8% em 2021 para 5,7% em 2025. O crescimento, ainda que gradual, sugere uma ampliação da presença de públicos mais jovens no cooperativismo de crédito.

A entrada de novos públicos é importante para a sustentabilidade futura das cooperativas. A renovação da base social, combinada com educação financeira, relacionamento digital e participação cooperativa, pode fortalecer o vínculo das novas gerações com o modelo cooperativo.

Principais números dos cooperados no Panorama SNCC 2025

O Panorama SNCC 2025 reúne diversos dados sobre a expansão da base social das cooperativas de crédito. Entre os principais números, destacam-se:

  • Total de cooperados em 2025: 21,2 milhões;
  • Crescimento anual da base: 10,4%;
  • Pessoas físicas cooperadas: 17,8 milhões;
  • Pessoas jurídicas cooperadas: 3,4 milhões;
  • Cooperados em 2021: 13,6 milhões;
  • Acréscimo entre 2021 e 2025: aproximadamente 7,6 milhões de cooperados;
  • Crescimento de pessoas físicas em 2025: 10,0%;
  • Crescimento de pessoas jurídicas em 2025: 12,7%;
  • Percentual da população brasileira associada: 8,4%;
  • População associada no Sul: 26,3%;
  • População associada no Centro-Oeste: 12,0%;
  • População associada no Nordeste: 1,6%;
  • Mulheres cooperadas pessoas físicas: 8,1 milhões;
  • Participação feminina na base PF: 45,3%;
  • Pessoas jurídicas de porte micro ou pequeno: 96,2% das associadas PJ.

Expansão de cooperados reforça papel social das cooperativas

O crescimento da base de cooperados reforça o papel social e econômico das cooperativas de crédito. Ao ampliar sua presença entre pessoas físicas, empreendedores, produtores e pequenas empresas, o SNCC fortalece sua capacidade de oferecer crédito, captar recursos, prestar serviços financeiros e apoiar o desenvolvimento das regiões onde atua.

Além disso, o avanço da base social contribui para diversificar o relacionamento das cooperativas com as comunidades. Quanto maior o número de associados, maior tende a ser a capacidade de participação, controle social, circulação de recursos e geração de resultados que podem retornar aos próprios cooperados e às comunidades.

Esse crescimento também amplia a responsabilidade das cooperativas. Uma base maior e mais diversa exige comunicação clara, educação financeira, canais acessíveis, governança participativa e capacidade de atender diferentes perfis de associados, desde jovens e famílias até empresas, produtores rurais e empreendedores urbanos.

Nova fase exige inclusão regional e participação cooperativa

O avanço para 21,2 milhões de cooperados confirma que o cooperativismo de crédito vive uma fase de expansão social relevante. No entanto, os dados regionais mostram que o crescimento ainda é desigual e que há grande espaço para ampliar a presença do modelo cooperativo em regiões menos atendidas.

O desafio dos próximos anos será transformar potencial de mercado em participação cooperativa efetiva. Isso envolve ampliar conhecimento sobre o modelo, fortalecer a presença institucional, desenvolver soluções adequadas à realidade regional e combinar atendimento físico, digital e comunitário.

Se o Sul mostra o que o cooperativismo financeiro pode representar em termos de participação populacional, Norte e Nordeste indicam o tamanho da oportunidade ainda existente. A expansão da base de cooperados nessas regiões pode ser uma das principais alavancas para o próximo ciclo de crescimento do SNCC no Brasil.

Portal Cooperativismo Financeiro

 

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