Cooperativismo simula mercado de seguros em experiência no IRB
24/04/2026
No dia 17 de abril, colaboradores do Sistema OCB e lideranças de cooperativas de crédito participaram, no Rio de Janeiro, de uma experiência diferente do ambiente tradicional de capacitação. Na sede do Instituto de Resseguros do Brasil - IRB(Re), o jogo (Re)ação colocou os participantes no centro de uma simulação estratégica que reproduz, com alto grau de fidelidade, o funcionamento do mercado segurador e ressegurador. A iniciativa foi organizada como um espaço de reflexão sobre o futuro do cooperativismo diante do avanço da regulamentação das cooperativas de seguros no Brasil.
Na dinâmica, os participantes (representantes de diferentes unidades estaduais do Sistema OCB e das principais confederações do cooperativismo financeiro) assumiram a gestão de uma seguradora fictícia e, ao longo de quatro rodadas, precisaram tomar decisões sobre precificação, gestão de riscos, alocação de capital e posicionamento de mercado. Cada escolha impactou indicadores-chave, como sinistralidade, custo de aquisição e índice combinado, parâmetros centrais para a sustentabilidade de operações no setor.
Na prática, os dilemas enfrentados durante a simulação foram os mesmos que devem orientar a atuação de cooperativas em um cenário regulado. Ajustar preços para melhorar margens sem comprometer a base de clientes, decidir entre expandir operações ou proteger a carteira com resseguro e equilibrar crescimento com prudência regulatória estiveram alguns dos desafios vivenciados.
Aprendizados
Ao final da experiência, três pontos se destacaram. O primeiro foi a compreensão aprofundada dos mecanismos financeiros que estruturam o setor de seguros. Ao vivenciar as consequências diretas de cada decisão, os participantes conseguiram internalizar, de forma prática, conceitos que, em geral, permanecem restritos à teoria.
O segundo ponto foi a possibilidade de confrontar modelos mentais com a realidade simulada. O jogo permitiu comparar decisões tomadas em tempo real com cenários previamente projetados, ao evidenciar vieses e ajustar percepções sobre comportamento de mercado. Já o terceiro se ateve ao campo institucional. A interação entre representantes de diferentes sistemas estaduais e confederações fortaleceu o alinhamento estratégico do cooperativismo.
O coordenador de Ramos do Sistema OCB, Hugo Andrade, destacou o último aspecto. “Talvez o ganho mais intangível, mas não menos importante, foi a oportunidade de lideranças de diferentes sistemas vivenciarem juntas os mesmos desafios. Isso abre espaço para um diálogo mais qualificado sobre estratégia e futuro do cooperativismo.”
A atividade foi realizada em um momento em que a regulamentação das cooperativas de seguros avança junto aos órgãos reguladores. A expectativa é que, uma vez estabelecido o marco legal, cooperativas de diferentes ramos possam entrar neste setor, abrindo um novo campo de atuação para o cooperativismo.
Sistema OCB