Seis anos após a pandemia: como a Covid-19 transformou a relação dos brasileiros com a saúde?
16/03/2026
Seis anos depois do início da pandemia de Covid-19, o isolamento, a incerteza e as perdas coletivas redesenharam a forma como os brasileiros se relacionam com o próprio corpo e com os serviços de saúde. Um levantamento da Universidade de São Paulo (USP) com participantes de 11 países colocou o Brasil em primeiro lugar nos índices de ansiedade (63%) e depressão (59%), à frente de Irlanda e Estados Unidos. "Com certeza o maior aumento foi em questões de saúde mental. Principalmente sintomas ansiosos e depressivos", explica o médico de família e comunidade cooperado da Unimed Goiânia, Dr. Danilo Maciel Carneiro Filho.
O especialista destaca que a pandemia gerou uma divisão no comportamento da população. "Algumas pessoas desenvolveram hábitos ruins nesse período, como sedentarismo, consumo excessivo de álcool, alimentos ultraprocessados e tabagismo. Outras, após o fim das restrições, procuraram mudar, por preocupação com a saúde. No geral, a procura por exames aumentou na população como um todo", observa.
Telemedicina amplia acesso e muda dinâmica dos atendimentos
O que começou como solução emergencial durante o isolamento tornou-se parte da rotina de saúde dos brasileiros. Dr. Danilo aponta que a telemedicina facilitou o acesso da população em idade produtiva aos serviços de saúde, reduzindo a necessidade de afastamento do trabalho e encurtando o caminho entre o sintoma e a consulta. "A procura por telemedicina aumentou muito. Acredito que isso também ajudou a aumentar a procura por check-up e queixas de saúde mental", pontua o médico.
A maior atenção à saúde no pós-pandemia trouxe um movimento positivo de busca por prevenção, mas também um desafio: a realização de exames sem indicação clínica. "Percebe-se uma demanda por muitos exames, inclusive invasivos, com o pretexto de prevenção. Quando executado sem indicação, um exame pode trazer mais malefícios do que benefícios", alerta Dr. Danilo.
As lições que a pandemia deixou
Para o médico de família e comunidade, o período trouxe ensinamentos em diferentes frentes. O primeiro deles é sobre os limites do controle humano sobre as doenças. "Muitas coisas não estão sob nosso controle e, para muitas doenças, ainda não temos medicações específicas. O que podemos fazer é cuidar da saúde com um estilo de vida adequado e realizar os check-ups. Prevenir é o melhor remédio", resume.
A pandemia também expôs os riscos da desinformação. O volume de notícias falsas durante a crise sanitária colocou em evidência a necessidade de informação verificada. "É papel do médico se manter atualizado com informações corretas. E é importante que o paciente pesquise sobre a própria saúde, mas que tenha um médico de confiança para discutir os achados antes de tomar qualquer decisão", conclui o especialista.
Assessoria de Imprensa