Reconhecimento de lideranças fortalece cooperativismo brasileiro
12/03/2026
Um em cada 10 brasileiros é cooperativista e o movimento tem ganhado força no debate nacional como uma solução equilibrada para desafios econômicos e sociais do país. Essa relevância se traduz na expressiva participação no agronegócio, no crescimento consistente das cooperativas de crédito, na chegada do setor ao mercado de seguros e no potencial de entrada na área de telecomunicações.
Em meio a esse cenário, o reconhecimento de uma das principais lideranças do cooperativismo brasileiro, a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, na Lista Forbes Mulheres Mais Poderosas do Brasil, ecoa como mais um indicativo da influência política e econômica de um setor que movimenta bilhões de reais e sustenta milhares de empregos.
Tania é um dos 16 destaques da lista, ao lado de empresárias, executivas, cientistas, artistas e educadoras, todas com grande protagonismo em suas áreas de atuação e impacto relevante na economia e na sociedade brasileira. “Recebo esse reconhecimento com muita responsabilidade, porque ele representa o trabalho de milhares de mulheres que lideram cooperativas, produzem no campo, empreendem nas cidades e transformam comunidades todos os dias”, afirmou Tania Zanella após o anúncio. Em 2021, a líder cooperativista havia sido indicada pela Forbes como uma das 100 Mulheres Poderosas do Agro.
O salto de representatividade demonstra amadurecimento pessoal, e fortalecimento institucional do cooperativismo. Nos últimos anos, a representação institucional do segmento, área estruturada por Tania no Sistema OCB em 2008, tem ampliado significativamente os espaços de interlocução do coop junto aos poderes e garantido conquistas relevantes para as cooperativas brasileiras. “Ter porta-vozes legítimos e preparados abre portas para o cooperativismo crescer e fazer o que sabemos de melhor: gerar desenvolvimento e prosperidade. É um capital institucional que favorece o diálogo para construirmos um ambiente regulatório que fortaleça as cooperativas”, avalia o presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato.
Efeito multiplicador
Em Minas Gerais, a conversão desse prestígio em resultados concretos é liderada pelo Sistema Ocemg em articulação com frentes parlamentares e participação em colegiados e fóruns de decisão. Em 2025, por exemplo, a Casa do Cooperativismo Mineiro atuou em mais de 700 pleitos jurídicos e regulatórios das cooperativas mineiras, além de acompanhar de perto as decisões em mais de 115 conselhos municipais, estaduais e federais.
Para Scucato, a presença ativa nesses ambientes ajuda a garantir segurança para o crescimento sustentável dos negócios cooperativistas, que já respondem por cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. “Estar onde as leis e as políticas públicas são discutidas e elaboradas nos dá a oportunidade de defender os cooperados e as cooperativas com base técnica”, afirma. “Quando uma das nossas lideranças nacionais é reconhecida, isso soma forças ao trabalho que fazemos aqui no Estado para aprovar o que é justo e necessário para o nosso modelo”.
Embasamento técnico consolida discurso
A ascensão de lideranças cooperativistas em rankings de prestígio é um reflexo direto da expansão e do peso econômico das cooperativas. A avaliação é da professora e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais Valéria Gama Fully Bressan, coordenadora do Curso de Graduação em Controladoria e Finanças e membro da Rede Brasileira de Pesquisadores em Cooperativismo. Segundo ela, a visibilidade de uma porta-voz como Tania Zanella funciona como um instrumento para reforçar os benefícios econômicos e sociais do modelo cooperativo e facilitar o diálogo governamental.
“Recordando o ditado: ‘quem não é visto não é lembrado’. Esse reconhecimento facilita o processo de interlocução com o setor público e ajuda a consolidar o cooperativismo no Brasil, uma área que ainda enfrenta desconhecimento por parte da sociedade”. A pesquisadora ressalta que o capital político só ganha força real quando aliado a uma gestão fundamentada em dados. Valéria explica que a representação institucional forte precisa estar calçada em comprovações metodológicas sobre o impacto do setor no desenvolvimento local e na inclusão financeira. “Não basta dizer que é bom ou que funciona, é preciso comprovar com método. O avanço dessas pautas exige conhecimentos técnicos, para que o discurso seja validado pelo que é gerado de resultado na prática”.
Sistema Ocemg