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Cooperativismo impulsiona liderança feminina em Goiás

06/03/2026

Nos últimos anos, as mulheres têm ampliado sua presença em setores que majoritariamente são dominados por homens, com destaque para o setor agrícola. Atualmente, 686 mulheres ocupam cargos de gestão no cooperativismo goiano. Os ramos com maior número de lideranças femininas são o Agropecuário (202), Saúde (140) e Trabalho, Produção, Bens e Serviços (127).

As mulheres presidem 47 cooperativas em Goiás, 34 ocupam a vice-presidência, 72 estão em diretorias e 466 atuam em conselhos, como titulares ou suplentes. Cerca de 44% dessas líderes participam do conselho de administração ou diretoria de suas cooperativas, 53% estão em conselhos fiscais e 3% atuam em diretorias contratadas.

A presença feminina na governança das cooperativas apresentou avanços relevantes entre 2022 e 2026. O crescimento mais expressivo nesse período ocorreu nas presidências: o número de mulheres passou de 25 para 47, uma alta de 88%. Levando em conta os últimos 10 anos, a liderança feminina cooperativista mais do que triplicou. Em 2016, eram apenas 205. No ramo agropecuário, o número quadruplicou, indo de 50 a 202, e no ramo saúde dobrou, indo de 70 a 140.

Protagonismo no agro

Cooperativas agrícolas formadas exclusivamente por mulheres ou nas quais a força de trabalho feminina alcança protagonismo se destacam nesse cenário. Um bom exemplo é a Cooperativa Mista dos Agricultores e Agricultoras de Mineiros (Coopermin), presidida por Zenaide Jesus Almeida. Zenaide está há oito anos à frente da cooperativa, na qual as mulheres representam 39 dos 52 cooperados.

Em 2013, quando iniciou como cooperada, Zenaide percebeu que a direção da cooperativa, composta apenas por homens à época, tinha algumas dificuldades que poderiam ser superadas. Após se destacar no trabalho, Zenaide decidiu assumir uma posição de liderança. Começou como suplente do conselho fiscal, depois tornou-se secretária e, finalmente, chegou à presidência. Sua gestão trouxe um novo patamar de desenvolvimento para a Coopermin, que hoje comercializa frutas, polpas, pães, queijos e outros produtos vegetais.

“A mulher tem um olhar mais delicado para as coisas. Olhamos o ambiente com todos os olhos. Eu via que a cooperativa tinha um potencial grande, mas a direção tinha medo e estava acomodada. Cheguei à conclusão, também com apoio de outras mulheres, que eu deveria assumir a liderança”, afirmou a líder cooperativista.

 

Visão

Ihasminy Teixeira, fundadora e presidente da Cooperativa Floryá, formada apenas por mulheres da agricultura familiar, também tem uma história singular de liderança no cooperativismo. A dirigente entende que a agricultura ainda é vista como um segmento masculino, mas sabe que é necessário ampliar a participação feminina.

Nós temos uma visão mais ampla, humana, diversa e igualitária. As mulheres possuem mais sensibilidade, e isso torna a gestão mais apurada, o que também favorece a inovação nas nossas atividades, afirmou a dirigente.

Hoje, a Floryá está presente nos municípios de Bela Vista de Goiás, Caiapônia, Cristianópolis, Goiânia, Goiás, Mambaí e São Miguel do Passa Quatro. A cooperativa produz e comercializa mais de 100 produtos, muitos deles derivados de alimentos nativos do Cerrado, como mel, baru e pequi.

Ambas reconhecem a evolução dos últimos anos, mas acreditam que ainda há muitos desafios a serem superados e avanços a serem alcançados. “Temos que começar a plantar essa semente na infância. É difícil para uma mulher deixar de dar maior atenção à sua casa para estar à frente de uma cooperativa. Mas é gratificante, principalmente quando você vê que os cooperados estão se desenvolvendo”, reflete Zenaide.

Empoderamento feminino

Ao longo das últimas décadas, o Sistema OCB/GO tem incentivado a ampliação da presença e participação das mulheres no cooperativismo goiano, seja na atração de mais cooperadas para o modelo de negócios ou no estímulo à ocupação de cargos de liderança. De acordo com o presidente da entidade, Luis Alberto Pereira, “isso é feito por meio de políticas de inclusão, criação de comitês, capacitações, reconhecimento do protagonismo e empoderamento feminino. A implantação do comitê estadual de mulheres ‘Elas pelo Coop’, por exemplo, foi um marco para fortalecer a participação feminina nas cooperativas”, afirmou.

Tanto por meio do comitê estadual quanto daqueles constituídos pelas próprias cooperativas, o Sistema OCB/GO realiza programas de formação para mulheres, palestras e encontros voltados ao incentivo da atuação feminina em papéis de liderança e maior responsabilidade. Os eventos também tratam de temas como mercado, inovação, gestão e desenvolvimento profissional.

Para Luís Alberto, apesar dos avanços ainda há muitos desafios a serem vencidos. Ele cita barreiras culturais, falta de dados, presença de estereótipos e outros obstáculos que impedem uma melhor avaliação e promoção das mulheres. Isso resulta, por vezes, em desigualdade salarial. No entanto, o dirigente reforça que o cooperativismo é um modelo de negócio que preza pela equidade.

“O modelo cooperativista já nasce democrático, mas é preciso transformar princípios em prática estruturada. Também é fundamental revisar processos internos, combater vieses inconscientes e preparar a nova geração. Em resumo: metas, formação, cultura e governança”, comenta Luís Alberto Pereira.

 


Sistema OCB/GO

 

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