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Economia Solidária é alternativa para geração de trabalho e renda

23/08/2019

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), por meio da Agência de Desenvolvimento Solidário (ADS), fez um chamado para diversas organizações do país para debater o Sindicalismo, o Cooperativismo, o Associativismo e a Economia Solidária no contexto atual. Reunidas em São Paulo/SP esta semana, nos dias 20, 21 e 22.ago.19, cooperativas, associações, grupos de trabalhadores(as) e demais convidados(as) chegaram a um consenso: em tempos de desemprego, recessão e forte ataque aos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais, a Economia Solidária se mostra como caminho para o desenvolvimento sustentável e para a geração de trabalho e renda.

O objetivo era fazer uma análise da conjuntura atual do país, para traçar estratégias de organização tanto das organizações e empreendimentos da EcoSol como de trabalhadores(as). Os temas abordados englobaram as transformações no mundo do trabalho, a concentração de renda e a relação da EcoSol com o movimento sindical. Na avaliação da Central, um dos principais desafios é lidar com novas formas de trabalho, como os informais ou por conta própria, ambulantes que produzem o que vendem e até mesmo os trabalhadores que dependem de plataformas digitais para obter sua renda. Ari Aloraldo do Nascimento, secretário de Organização da CUT e coordenador da ADS, explicou que esses trabalhadores têm demandas e não têm (ainda) a exata consciência da necessidade de organização, por isso precisam de amparo. É papel do movimento sindical, para Ari, conhecer as demandas de cada um antes mesmo de propor a organização. "Unir forças e unir trabalhadores é o conceito de Economia Solidária. Isso fortalece a organização do trabalho", defendeu.

ECONOMIA DE PROXIMIDADE

A União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) participou do Seminário Nacional. Um dos objetivos da atividade foi aproximar associações e cooperativas para promover a integração de visões e ações. Nessa lógica, Ladislau Dowbor, economista e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), deu como exemplo cidades em outros países em que as economias locais adotaram o conceito de Economia Solidária e passaram a ser organizar regionalmente. "As pessoas descobriram que, cidade por cidade, dá para organizar de maneira inteligente os sistemas sociais, os sistemas de saúde, e existem até consórcios intermunicipais para isso. Sistemas econômicos, inclusive", explicou Dowbor. "É a economia de proximidade; e o papel dos sindicatos deve ser formular caminhos para expandir a organização do potencial subutilizado de cada região", acrescentou.

O professor chegou a elaborar um documento, depois de várias pesquisas feitas no Brasil e no exterior, sobre o tema: o guia Política Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Local, que contém 89 propostas práticas para o desenvolvimento de economias locais, em linguagem didática para ajudar comunidades a se fortalecerem.

MODELOS SOLIDÁRIOS

As entidades que participaram do Seminário atuam em diversos ramos. Desde a produção e comercialização de alimentos e vestuário, passando pela logística e pelo transporte e, também pelo crédito. O coordenador da ADS citou como exemplo de trabalho de impacto o sistema Cresol. A experiência, segundo Ari, está servindo de referência para a categoria bancária de São Paulo, que já planeja lançar um cartão para os trabalhadores, independente das bandeiras tradicionais. 

Outra experiência apresentada foi a da Rede Ecovida de Agroecologia, uma articulação horizontal e descentralizada, baseada na organização das famílias produtoras em grupos informais, associações ou cooperativas. Na prática da Rede, as organizações se integram com associações ou cooperativas de consumidores, ONGs e outras instituições e formam um Núcleo Regional, circunscrito a determinada área geográfica. Cada Núcleo tem uma coordenação com uma tarefa de animação e gestão. A soma dos diferentes núcleos (nos estados do RS, SC e PR) formam a Ecovida.

A apresentação das experiências abriu o diálogo para a construção de uma agenta comum entre o movimento sindical e o trabalho associado. O intuito é sistematizar o debate em um documento final, com as proposições do Seminário. Na próxima semana o documento deverá ser disponibilizado.

CUT / FOTO: Roberto Parizotti