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Bauru: Cooperativas querem gerir Ecopontos

15/05/2018

As cooperativas de reciclagem de lixo credenciadas junto ao poder público estão em negociação com a Secretaria do Meio Ambiente (Semma) para assumir os cuidados dos Ecopontos de Bauru. São sete deles em funcionamento, que ficam abertos de segunda a sábado, das 8h às 17h, para que a população descarte, além de eletrônicos, entulho e afins, resíduos secos comercializados por esses grupos, como papel, plástico, metal e vidro.

Ao todo, são três cooperativas de material reciclável atuantes na cidade: Coopeco, Cootramat e Cooperbal. Os cooperados devem se reunir com o titular da pasta, Sidnei Rodrigues, para discutir a iniciativa. Os Ecopontos, entretanto, continuariam sendo mantidos pela prefeitura.

Ao assumir a atividade, contudo, as cooperativas poderiam fazer a triagem e separar o que é apenas de interesse para comercialização. Para tanto, a ideia é ampliar o horário de funcionamento em duas horas, com expediente também aos domingos.

Presidente da Coopeco, Gisele Moretti explica que muitos moradores procuram os Ecopontos depois das 17h, quando já estão fechados. "O descarte ocorre de qualquer maneira, pois não tem ninguém lá para orientar. Desta forma, a gente acaba perdendo o material fino (que pode ser aproveitado), o que não aconteceria se a gente tomasse conta do local", aponta.

"A proposta é boa para nós, pois garantiria mais qualidade ao material reciclável. Atualmente, o que chega para a cooperativa é apenas lixo. Boa parte dos materiais não é aproveitada", complementa a diretora da Cootramat, Maria Cecília Pereira de Souza.

O papel dos Ecopontos, portanto, seria impulsionado, já que o olhar dos cooperados sobre os descartes da população nesses locais é diferenciado. "Por isso, a ideia é estabelecer que os Ecopontos funcionem das 7h às 19h, incluindo os domingos. Assim, o material já viria separado para a cooperativa", destaca Moretti, complementando que a ideia é, ainda, ampliar o número de Ecopontos na cidade de sete para dez. "Vamos trabalhar para ver se isso dá certo".

Diretor da Cooperbal, Rubens Ferreira reforça que está de acordo com a iniciativa de assumir as unidades. "A proposta é que cada cooperativa assuma ao menos dois Ecopontos, os mais próximos da empresa. É mais prático, desta maneira. Sobre aumentar o número de Ecopontos, precisamos, primeiro, ver como vai ficar depois que assumirmos a gestão", pondera. 

Inclusive, caso a iniciativa dê certo, funcionários da Semma seriam realocados para outras funções, o que seria positivo diante do déficit de servidores da pasta em relação a suas demandas e o impedimento de novas contratações, inviabilizadas em razão da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

AVAL DO PREFEITO

Secretário de Meio Ambiente, Sidnei Rodrigues disse que o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) já deu aval para colocar o projeto em prática. Para tanto, há duas alternativas: uma a médio e outra a longo prazo.

A primeira seria utilizar recurso do Fundo Municipal do Meio Ambiente. "É possível se for para projetos de gestão e conscientização ambiental. Na prática, as cooperativas apresentariam a proposta de assumir os Ecopontos, o que teria de ser aprovado pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comdema). Se isso ocorrer, elas assumiriam a gestão ainda neste ano".

Criar um Termo de Convênio é outra alternativa, pela qual haveria liberação de R$ 1,8 mil para cada Ecoponto por mês, valor utilizado para manter o cooperado trabalhando nestes locais.

"Assim, podemos direcionar os servidores que atuam hoje nos Ecopontos para outras atribuições. Se for dessa maneira, entretanto, a iniciativa só poderia ser colocada em prática no ano que vem, pois não há recursos agora e a medida precisa ser aprovada pela Câmara Municipal", pontua. 

O secretário cita que, na semana que vem, pretende levar representantes das três cooperativas para Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), onde a gestão dos Ecopontos já é feita pelos cooperados. 

JCNet