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Sisal da agricultura familiar baiana vai a Saitex - África do Sul

16/06/2017

Tapetes, capachos, jogos americanos, fios e cordas feitos de sisal, matéria-prima cultivada por agricultores familiares da Bahia, serão um dos destaques da Saitex 2017 - Feira Internacional da África do Sul.  Os produtos são resultado do trabalho da Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira (Apaeb), uma das selecionadas, por meio de chamada pública, para compor o estande Brasil - Family Farming da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) no evento.

A Saitex acontece de 25 a 27 de junho, em Johannesburg, e é considerada o maior evento de negócios multissetorial do continente africano. No ano de 2016, a feira reuniu 400 expositores de aproximadamente 25 países. Nesta 24ª edição, a Sead leva oito empreendimentos da agricultura familiar brasileira ao evento.

A Bahia tem o maior polo produtor e industrial de sisal do mundo, formados pelas cidades de Valente, Queimadas, Santaluz, Retirolândia, São Domingos e Conceição do Coité. Um trabalho tradicional das famílias, que se iniciou nos anos de 1900. A Apaeb foi fundada em 1980, com a ideia de eliminar os atravessadores que revendiam as fibras do sisal extraídas pelos agricultores às indústrias. Em 1984, a associação deu um importante passo ao adquirir uma batedeira comunitária e, em seguida, começar a exportar as produções de fios e cordas. Mas, foi em 1996, que o sonho da comunidade se realizou e a indústria têxtil da associação foi instalada.

O presidente da Apaeb, Jaime Oliveira, de 56 anos, explica que a associação adquire a fibra de mais de 600 famílias de agricultores familiares de ao menos 20 municípios para produção de tapetes e outros produtos decorativos, além dos fios e cordas. Para ele, a participação na feira se une a outras conquistas para melhorar a vida dos produtores da região.

“Nós vamos poder divulgar uma marca nossa, de uma região carente e que está dando certo apesar das dificuldades que existem. Para o que nós já vivemos, acho que hoje os produtores estão de parabéns. Conseguimos alcançar um preço melhor, alcançar um mercado diferenciado do que o de simplesmente cortar e bater o sisal, e industrializar o nosso produto. No final, isso tudo faz com que a gente consiga beneficiar ainda mais o pequeno agricultor”, comenta Oliveira.

O gerente comercial da Apaeb, Uirã Santa Bárbara, de 29 anos, reforça que pela importância do sisal na vida das famílias, o evento traz ainda algo melhor para os agricultores. “Cerca de 600 mil famílias vivem do sisal na Bahia. Diferente da China e da África, essa produção está nas pequenas propriedades. Ou seja, os agricultores estão muito orgulhosos de ver os produtos deles, com valor agregado e qualidade. É o que motiva eles a continuarem trabalhando nessa área”, diz o gerente.

Oliveira destaca ainda que por ser uma entidade sem fins lucrativos, todo o saldo positivo da empresa é revertido para os próprios associados no fim do ano. “Fazemos sistemas de qualificação, melhoramos nossos maquinários, tudo isso para que a nossa produção seja cada dia mais leve e mais prática para se trabalhar”, justifica o presidente.

Sobre a Saitex

A feira internacional está na 24ª edição. Ao todo, são mais de 400 expositores de 25 países. A média de público nos três dias de evento é de 14 mil pessoas.  O estande da agricultura familiar na Saitex promoverá as cooperativas e produtos brasileiros que têm capacidade de exportação. O público da feira é formado não só por países do continente africano, mas também da Ásia e Europa. Nas últimas edições, os produtos do Brasil foram negociados no mercado chinês e europeu.

A Saitex é um evento de prospecção de negócios e não é permitida a venda direta da produção aos visitantes. O objetivo é promover a exportação e apresentar os produtos para grandes compradores, como mercados varejistas, promover rodadas de negociações e também auxiliar os agricultores nas transações comerciais.  Além da Sead, outros órgãos brasileiros estarão presentes na Saitex, entre eles o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário