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Cooperativas ou bancos? Nesta disputa, onde está a diferença?

Ao longo dos últimos três meses, foi possível notar uma humanização no discurso adotado pelos bancos. A justificativa: ajudar neste período de crise e pandemia. Os comerciais, nas mais diferentes mídias, adotaram frases de efeito que fazem crer que essas instituições desejam se aproximar e estreitar laços com os clientes, quase que de maneira desinteressada – mas será mesmo?

À primeira vista parece uma ação positiva a se propagandear. Entretanto, sabe-se que, na verdade, pessoas jurídicas e físicas estão sozinhas no momento em que mais precisam de ajuda financeira. Seria de fato louvável se a oferta dos slogans fosse verdadeira.  Ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade deveria ser básico em um momento como este. Mas, ao que tudo indica, o discurso não passa de uma onda de oportunismo – para mostrar uma imagem irreal, que não se observa no dia a dia.

Então vejamos. Nas últimas semanas, bancos e corretoras de investimento entraram em debate após comercial de um dos cinco grandes bancos do país atacar as corretoras de investimentos. Uma das perguntas que ficou em evidência é se tais instituições estão realmente preocupadas com os clientes, ou mostrar quem tem mais poder. Afinal, sabemos que os cinco maiores bancos do Brasil detém 81% dos ativos totais do segmento bancário. Esta é uma conta que não fecha.

Cooperativas em destaque 

É notório que as cooperativas ampliaram a sua presença, muitas vezes sendo únicas fontes de crédito em alguns municípios. Seu discurso, desde sempre, apontando para o bem comum, não é superficial e é comprovada sua forma colaborativa e participativa de movimentar a economia. Tudo indica que, em diversos fatores, as cooperativas de crédito se apresentam mais competitivas e oferecem mais vantagens do que os bancos tradicionais. Especialistas inclusive apontam que o cooperativismo será determinante na recuperação da economia após a crise sanitária e financeira que enfrentamos no presente momento.

Juros como fator decisivo

Os juros aplicados pelas cooperativas são muito menores do que os dos bancos tradicionais. As taxas das cooperativas possuem em média metade dos valores dos aplicados pelos bancos. Uma outra vantagem em relação às cooperativas é o fato de o cooperado realmente ser dono e, ao contratar os serviços da instituição, ele recebe os dividendos desses no ano seguinte em forma de ‘Sobras’.

Em um relatório publicado pela FGCoop no primeiro semestre de 2020, o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) cresceu, em 2019,  no número de postos de atendimento, no volume de depósitos e nas operações de crédito, demonstrando que o ano passado foi um período de crescimento e fortalecimento para o setor no Brasil. Segundo o relatório, existem 884 cooperativas de crédito no país. A rede de atendimento fechou o ano com 6.830 postos de atendimento, 632 unidades a mais do que em 2018.

O crescimento dos depósitos totais do SNCC foi de 14,59% em 2019 comparado a 2018. E a participação do SNCC no consolidado bancário comercial dos depósitos passou de 5,72%, em 2018, para 6,04%, em 2019. As operações de crédito do SNCC, apresentaram aumento na participação de mercado em relação ao consolidado bancário mais financeiras – em 2018 era de 4,26% e passou passou para 5,06%[1] em 2019.

Solidariedade como diferencial

Muito diferente dos bancos tradicionais o setor das cooperativas de crédito apresenta-se disposto a ajudar inúmeras empresas neste momento, oferece linhas de crédito com taxas de juros mais justas, amplia prazos de pagamento e, quando se trata do social, realiza doações mostrando a cara do cooperativismo e os seus pilares. Vale mencionar que o setor já se comporta como ativista quando se trata de realizar ações para o bem estar da sociedade.

 

(1)FGCOOP: Relatório do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC, 2019). Disponível em: <https://www.fgcoop.coop.br/api/Content/Getfile?fileRef=/site-externo/Lists/normaspublicacoes/Attachments/196/Relat%C3%B3rio%20Anual%202019.pdf>



 

Izabela Ferreira

jornalista da Zaia Comunicação