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As cooperativas de crédito e a nova ordem bancária

O Banco Central estuda medidas para incentivar o ambiente concorrencial no sistema bancário brasileiro. A intenção é boa, uma vez que os quatro maiores bancos concentram hoje 78,5% do crédito e o cliente vê reduzido o leque de alternativas. Há uma década, a participação dos gigantes no mercado era de 54%, o que mostra o quanto a concentração bancária aumentou no país.

Esta é uma das principais razões dos spreads (diferença entre o que os bancos cobram para captar e para emprestar) elevados no Brasil. Mesmo com a taxa Selic no nível mais baixo da história, houve pouco benefício nos juros para o consumidor.

Uma das novidades em estudo é o open banking, sistema que permitirá que as fintechs (empresas de tecnologia que prestam serviços financeiros) acessem dados de correntistas dos grandes bancos, mediante autorização do cliente, para oferecer empréstimos e produtos com juros mais baixos. O open banking já está em vigor na Comunidade Europeia e a expectativa do BC é que comece a funcionar no Brasil no segundo semestre de 2020.

Entre a boa intenção e a prática, porém, há um longo caminho. O problema é que os grandes bancos já se movimentam para ter as próprias fintechs, seja criando empresas do zero ou comprando startups no mercado, o que poderá frustrar o BC em seu objetivo de estimular a concorrência.

Neste cenário, as cooperativas de crédito se destacam na construção de um sistema bancário saudável e concorrencial, pois são independentes e não podem ser controladas pelos grandes bancos. Em todo o país, existem mais de 8 milhões de cooperados, revelando a força e a confiabilidade do sistema.

A vantagem mais evidente do cooperativismo de crédito é que os recursos são reinvestidos na própria região de atuação da cooperativa, ajudando a girar a roda da economia local. Não é à toa que, no mundo inteiro, regiões com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) concentram um grande número de cooperativas.

As cooperativas de crédito contribuem para fortalecer a saúde do sistema bancário no país. E, gerando benefícios locais, o crescimento é maior e melhor para todos.

 

Marcelo Vieira Martins

diretor executivo da Unicred União