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Um ano de mudanças para as cooperativas agropecuárias

Na última semana, o Governo Federal anunciou suas prioridades para os 100 primeiros dias do seu mandato. Embora apenas uma das ações tem relação direta com o agronegócio, as cooperativas agropecuárias catarinenses aguardam definições de outros temas que impactam diretamente nas atividades. Proposta pelo Sistema OCB, a ação prioritária anunciada foi a ampliação para dois anos do prazo de validade das Declarações de Aptidão (DAP) do Programa Nacional da Agricultura Familiar.

 

Em entrevistas, a Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, mostrou-se atenta à resolução de alguns assuntos, como a questão do Crédito e do Seguro Rural e Transporte, mas há ainda a necessidade de aguardar e torcer para que os avanços sejam satisfatórios. Os temas estão sendo acompanhados pelo Sistema OCB, por meio dos grupos técnicos, que iniciam novamente os trabalhos nos próximos dias.

 

A tendência é de que a liberação de créditos continuará sendo para pequenos e médios produtores, e os grandes produtores serão dirigidos para o crédito livre, com juros mais altos. O Governo já sinalizou a intenção de apoiar cada vez mais a agricultura familiar, e sinalizou que o Banco Central deverá ficar responsável apenas a ela em breve.

 

Também há interesses do Governo em fortalecer as cooperativas de crédito para que tenham papel fundamental no fornecimento de créditos para o agronegócio. Para isso, as cooperativas terão que se preparar com volumes de recursos, em um processo gradativo, embora apresentem bom crescimento ano após ano.

 

Já é esperado que o Seguro Rural tenha novas regras, para garantir também margem ao produtor, evitando, dessa maneira, dificuldades que provoquem o êxodo rural. O cooperativismo busca incentivos para que o produtor produza com sustentabilidade financeira.

 

Além do Seguro e do Crédito, o Governo estuda maneiras de investir em infraestrutura para escoamento da produção. O Plano Safra deve passar por mudanças, incluindo esses investimentos em rodovias federais, trazendo agilidade e racionamento de custos.

 

A questão do transporte também preocupa as cooperativas. A Tabela de Frete é um expediente que está tendo dificuldades de ser implantado com sucesso, devido a diversidades de fretes, estradas, distâncias e tipos de caminhões. É um instrumento que não funciona bem numa economia de livre mercado.

José Padilha

Coordenador técnico da OCESC