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Cooperativismo: um modelo de negócios que ganhou o mundo

Em meio às transformações sociais trazidas pela Revolução Industrial, em 1844, 28 tecelões ingleses reuniram o pouco que tinham e fundaram um pequeno armazém de alimentos. Foi a alternativa encontrada para escaparem das jornadas de trabalho exaustivas e mal remuneradas, em postos de trabalho ameaçados pelo advento das máquinas a vapor. Enquanto o regime capitalista apresentava a competição como princípio, aquele pequeno comércio trazia como essência a cooperação.
 
Mais de 170 anos após o seu surgimento, o cooperativismo reúne hoje 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Além disso, movimenta a economia e promove desenvolvimento, sem deixar de lado os valores que o conectam com os anseios do século XXI e o deixam mais atual do que nunca. Ao mesmo tempo em que demanda uma gestão profissionalizada e com visão de mercado, capaz de gerar competitividade, o cooperativismo possui caráter transformador e de inclusão, equilibrando produtividade e sustentabilidade.
 
O que começou como sonho de um grupo com poucos recursos mostrou eficiência, cresceu e ganhou a proporção de uma potência econômica global. “As cooperativas estão no mercado para fazer negócios, e o resultado desse movimento impulsiona a vida das pessoas, contribuindo para o desenvolvimento econômico. Se as 300 maiores cooperativas do mundo fossem um país, formariam a 9ª maior economia global”, exemplifica Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg, entidade representativa do cooperativismo em Minas Gerais.
 
No Brasil e em Minas. No país, 6.655 cooperativas congregam 13 milhões de cooperados e marcam presença em 13 ramos da economia, com produtos e serviços que, a cada ano, aumentam sua participação no mercado. Na última edição do ranking Maiores & Melhores da Revista Exame, 68 delas foram listadas entre as mil maiores empresas do país em vendas, sendo 12 do Sistema Unimed. Em Minas Gerais, o segmento apresentou crescimento nos últimos três levantamentos realizados, a despeito da crise que assolou o país. “Representamos 8% do Produto Interno Bruto de Minas Gerais, com movimentação anual superior a R$ 43 bilhões”, observa Scucato.
 
Neste contexto de sucesso, as cooperativas do ramo de saúde se destacam, obtendo resultados equivalentes a 20,5% da movimentação financeira do setor. Respondem por R$ 8,1 bilhões, que são movimentados por 43 mil cooperados e uma carteira de mais de 3 milhões de clientes.
 
Das 123, 67 são Unimeds e 14 Uniodontos. O Sistema Unimed, maior plano de saúde do Estado, conta com mais de 17 mil médicos cooperados e possui carteira de quase 3 milhões de clientes, contemplando em torno de 59% do mercado.
 
“Em nosso Estado, o trabalho do cooperativismo é robusto, e o Sistema Unimed vem se consolidando ao longo dos anos. Isso é fruto da nossa busca incessante por oportunidades de aprendizado que favoreçam a competitividade das Unimeds e contribuam para qualificar o ambiente de negócios e promover a sustentabilidade das nossas cooperativas”, ressalta o presidente executivo da Unimed Federação Minas, Luiz Otávio Fernandes de Andrade.
 
Fatores que resultam em êxito
 
Para Luiz Otávio Fernandes, presidente executivo da Unimed Federação Minas, alguns fatores garantiram a ascensão do cooperativismo em saúde em Minas: o primeiro e principal é o envolvimento e a dedicação dos médicos. Na Unimed, os médicos são os donos das cooperativas e, segundo ele, isso se reflete no atendimento.
 
Outro diferencial apontado pelo presidente da Federação, que representa política e institucionalmente as 67 Unimeds em Minas Gerais, é o modelo de gestão. “Trabalhando juntos somos mais fortes. Por isso, o Sistema Unimed se tornou a marca mais desejada pelos mineiros. Ano após ano, tem investido em estruturas próprias como hospitais, laboratórios, farmácias e pronto-atendimentos, totalizando mais de 200 recursos”.
 
No modelo praticado pelas cooperativas, diferentemente das empresas mercantis, os resultados financeiros são aplicados dentro da própria cooperativa e, também, distribuídos gualitariamente entre todos os associados, que têm equidade na tomada de decisões. 
 
“Todo dia, quando atendemos com carinho e dedicação aos nossos clientes, quando atuamos em serviços privados ou próprios e comparecemos às assembleias para tomar em nossas mãos as decisões para a cooperativa, nós celebramos fraternalmente a nossa vocação para o trabalho cooperativo. Celebramos o cooperativismo em sua essência”, resume.
 
Intercooperação para o desenvolvimento
 
“O diálogo, a troca de experiências e a valorização mútua são características comuns entre as cooperativas do Estado. Por isso, buscamos unir nossas instituições, fortalecendo a intercooperação”, declarou Luiz Otávio Fernandes de Andrade, presidente executivo da Unimed Federação Minas. Neste mês, por exemplo, com esse propósito, a Unimed Federação Minas firmou uma parceria com duas cooperativas financeiras, o Sicoob Credicom e a Unicred.
 
“A união da Unimed Federação Minas com essas cooperativas de crédito é um marco na nossa história. Afinal, precisamos lembrar que um dos nossos princípios é a intercooperação, ou seja, uma cooperativa fortalecendo a outra. Com essa medida, promovemos a movimentação da economia local, gerando resultados para nossa própria comunidade”, comemora Andrade.

Luiz Otávio Fernandes de Andrade

Presidente executivo da Unimed Federação Minas